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O Portal do Direito publica análises jurídicas, comentários à legislação e jurisprudência e reflexões sobre questões práticas do Direito português. Um espaço de informação e debate sobre Direito Penal, Processo Penal, direitos fundamentais, protecção animal, direito do consumo e outras matérias de interesse jurídico.

A descrição, em traços gerais, dos temas abordados, não pretende ser exaustiva, nem dispensa a consulta de um advogado.

quinta-feira, 29 de outubro de 2026

O direito à manifestação não dispensa rigor na interpretação da lei

Ilustração de agentes da polícia com equipamento de proteção e escudos transparentes com a inscrição "POLÍCIA" a intervir junto a tendas e manifestantes num espaço público à noite.
Direito à manifestação e actuação policial

    A carta aberta, subscrita por 430 advogados, levanta questões importantes sobre o direito à manifestação e a actuação policial. Mas há várias conclusões com as quais não concordo e que, a meu ver, precisam de ser melhor fundamentadas.  

    Comecemos pelo essencial. 

quinta-feira, 15 de outubro de 2026

Um animal de companhia apreendido por maus-tratos pode ser adoptado antes do fim do processo?

 

Fotografia de uma mulher agachada a segurar suavemente a pata de um cão de pelo castanho e preto. O cão tem um olhar meigo e o ambiente ao redor é acolhedor, livre de grades. No chão, em primeiro plano, está um coração de cartão com a inscrição "Adopte-me" e uma bola de ténis amarela.
Cão à espera de adopção

    Imagine-se o seguinte caso: 

A Polícia de Segurança Pública apreende um animal de companhia ao seu detentor por existirem fortes indícios da prática de um crime de maus-tratos, previsto e punível pelo art.º 387.º n.º 3, do Código Penal (doravante apenas CP). 

O animal é entregue no Centro de Recolha Oficial (CRO) do município. 

Entretanto, a prova essencial é recolhida e o animal deixa de ser necessário para a investigação. 

Contudo, o CRO encontra-se sobrelotado e não dispõe das melhores condições para assegurar a recuperação do animal. 

Existe, porém, uma pessoa idónea disponível para o acolher, tratar e proporcionar-lhe uma vida estável. 

    

quinta-feira, 8 de outubro de 2026

Corrida de Toiros em Portugal: oposição à sua inscrição no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial

 

Fotografia em primeiro plano de um touro bravo num campo rural português, com o olhar focado e expressivo e o fundo desfocado.
Touro bravo em ambiente rural, destacando a expressividade do animal no debate entre a protecção dos animais e o património cultural

    O Portal do Direito tem assumido, desde a sua criação, um compromisso claro com a defesa do bem-estar animal e com a evolução do Direito enquanto instrumento de protecção dos seres vivos sencientes. 

    Por essa razão, não poderia deixar de se opor formalmente à inscrição da denominada «Corrida de Toiros em Portugal» no Inventário Nacional do Património Cultural Imaterial, por entender que tal reconhecimento não é compatível com a actual evolução do ordenamento jurídico português nem com a consideração que este passou a conferir aos animais enquanto seres dotados de sensibilidade e merecedores de protecção jurídica. 

quarta-feira, 2 de setembro de 2026

Comprei um produto com defeito: sou obrigado a aceitar uma nota de crédito ou vale de loja?

 

Camisola de malha bege sobre um balcão de loja em madeira, ao lado de um recibo e de uma carteira, com detalhe de uma costura descosida.


“Não devolvemos o dinheiro, mas podemos emitir-lhe um vale.” 

    Quem nunca ouviu esta frase? 

    É uma resposta bastante comum em muitas lojas e, regra geral, é proferida com a segurança de quem parece estar apenas a informar o cliente sobre uma regra que não admite discussão. 

    Mas será mesmo assim? 

segunda-feira, 27 de julho de 2026

Clonagem de cartões bancários e fraude digital: enquadramento legal e prevenção

Três indivíduos mascarados numa sala escura com computadores, cartões bancários e terminais de pagamento, ilustrando cibercrime e fraude financeira organizada.
Organização criminosa a operar em esquema estruturado de fraude bancária digital.

Nota prévia: Decorrido algum tempo desde a redacção inicial deste texto, considerou-se pertinente proceder à sua revisão e actualização, tendo em conta as alterações legislativas introduzidas e a evolução dos fenómenos associados à captação de dados bancários e à fraude em pagamentos online. 

    Para facilitar a leitura, este artigo está organizado da seguinte forma: 

1 – Introdução;

2 – Evolução da clonagem de cartões e da fraude em pagamentos eletrónicos;

3 – Enquadramento jurídico-penal: da clonagem do cartão à fraude digital (com exemplos práticos);

3.1 – Concurso de crimes: a fraude digital como uma cadeia de condutas criminosas;

3.2 – Outras questões jurídicas relevantes;

4 – Conselhos práticos (actualizados para 2026);

5 – Nota final.

 

sábado, 11 de julho de 2026

Colocação de aparelhos de ar condicionado em prédios em propriedade horizontal: entre o conforto e a legalidade

 

Vista exterior de um prédio onde a instalação desordenada de várias unidades de ar condicionado nas fachadas comuns altera a estética do edifício.

1 – Introdução 

    O calor dos últimos verões tem levado muitos condóminos a procurarem soluções rápidas de conforto térmico. Mas o que acontece quando um condómino decide instalar o seu aparelho na fachada do edifício, sem autorização da assembleia, simplesmente porque “os vizinhos já têm quase todos”? 

    Este é o caso prático que vamos analisar: 

O Sr. António, condómino no terceiro andar, observou que, nos últimos anos, quase todos os seus vizinhos instalaram aparelhos de ar condicionado nas fachadas do prédio. 

Com as ondas de calor que têm assolado o país, decidiu instalar o seu próprio aparelho, sem solicitar autorização ao condomínio, uma vez que a fachada já estava, de certo modo, "caracterizada" pelas unidades anteriores. 

    Este cenário não é hipotético. Reflete situações reais que chegam aos tribunais, como as que analisaremos a seguir.

 

quarta-feira, 24 de junho de 2026

Comprou um carro com defeito e ainda está a pagar o crédito? Conheça os seus direitos.

 

Carro com defeito e reserva de propriedade: Conheça os seus direitos
A complexidade da compra de veículos com reserva de propriedade e defeitos ocultos exige conhecimento dos direitos do consumidor.

1 – Introdução 

    Considere-se a seguinte situação hipotética: 

Adquiri um Volkswagen Golf num stand de veículos.

Posteriormente, constatei um defeito significativo no motor que compromete a sua funcionalidade e valor.

O pagamento foi efetuado mediante empréstimo concedido por uma instituição financeira, que reservou a propriedade do veículo como garantia do crédito.

A quem devo exigir responsabilidades? 

segunda-feira, 8 de junho de 2026

«O Cartão de Cidadão não sai da minha mão»: o que significa realmente ser “pessoal e intransmissível”

 

Uma ilustração de cartoon que mostra um homem português com o seu Cartão de Cidadão colado na palma da mão esquerda, com super cola visível. Na sua mão direita, ele segura um cadeado grande e vermelho por cima do cartão. Um polícia português com o uniforme da PSP (Polícia de Segurança Pública) e a bandeira de Portugal no braço, está à sua frente, com uma expressão de surpresa e confusão, a olhar para o cartão colado e a segurar um tablet de identificação. O fundo é uma rua calcetada numa cidade portuguesa, com edifícios antigos. O tubo de super cola está caído no chão, ao lado da mão do homem.
Um homem com um Cartão de Cidadão colado na mão, numa interpretação literal de "pessoal e intransmissível"

    Nas redes sociais e em discussões sobre direitos dos cidadãos perante as autoridades, é muito frequente ouvir a afirmação: 

«Eu identifico-me, mas o Cartão de Cidadão não sai da minha mão, pois é um documento pessoal e intransmissível.» 

    Trata-se de uma interpretação errada, embora compreensível, de um conceito jurídico importante. Importa, pois, clarificar o verdadeiro alcance da expressão “pessoal e intransmissível” e os deveres que recaem sobre o titular do documento.

segunda-feira, 4 de maio de 2026

Alguém está a viver a sua vida? O rasto invisível do furto de identidade

 

Uma imagem cinematográfica de um homem aterrorizado e ansioso num quarto de banho escuro, olhando para o espelho. O seu reflexo tem o mesmo rosto e corpo, mas está a sorrir de forma perturbadora e sinistra, criando uma sensação de perda de identidade.
Um homem assustado confronta um reflexo inquietante de si mesmo no espelho.

 

Obs.: O texto que se segue constitui uma versão reformulada de uma publicação anterior, à qual se acrescentou uma abordagem específica da identidade digital, enquanto dimensão emergente e em acelerada expansão no contexto actual.

 

João (nome fictício) nunca imaginou que o desaparecimento da sua carteira, com todos os documentos pessoais, pudesse desencadear consequências tão graves. 

Nesse mesmo dia dirigiu-se a uma esquadra da PSP, participou a ocorrência e cancelou o cartão multibanco junto da entidade emitente. 

“Agora é só tratar das segundas vias”, pensou. 

Passados seis meses, recebeu em casa uma carta de uma instituição financeira a informar da existência de um contrato de crédito de 10.000 euros celebrado em seu nome. 

“Só pode ser um erro”, concluiu. 

Ao contactar a entidade, descobriu que alguém tinha usado os seus dados pessoais para obter o empréstimo. 

A origem? A carteira “roubada”… 

 

segunda-feira, 27 de abril de 2026

Juízes vão ter de declarar o uso de Inteligência Artificial nas sentenças

 

Estátua clássica da Deusa Justiça (Témis) num tribunal solene. Em vez da tradicional venda de tecido, os seus olhos são cobertos por um fluxo brilhante de dados azuis e números binários que emanam luz. Essa luz digital ilumina diretamente a balança de ouro que ela segura. Estilo de arte conceptual em tons de azul, dourado e cinza.
A nova face de Témis: será o algoritmo o novo fiel da balança?

    Imaginem estarem a ler uma sentença ou acórdão de um tribunal e, no rodapé, leem a seguinte frase: 

“Esta decisão foi produzida com o auxílio de Inteligência Artificial.” 

    Pode parecer o guião de um episódio de “Black Mirror”, mas será a nova realidade da justiça em Portugal. No passado dia 8 de Abril de 2026, o Conselho Superior da Magistratura (CSM) aprovou um conjunto de recomendações propostas pelo Grupo de Acompanhamento da Inteligência Artificial (GAIA). [1] 

[1] As recomendações poderão ser consultadas no Parecer n.º 2025/GAVPM/5469, de 23 de Fevereiro de 2026, acedido e consultado AQUI em 18/04/2026. 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Pode a polícia obrigar uma testemunha a identificar-se? Depende...

 

Identificação de testemunhas: onde termina a autoridade policial 

Obs.: Este texto corresponde a uma versão revista e actualizada de publicação anterior, na qual se conservaram, por opção deliberada, os comentários originariamente produzidos.

       Ao consultarmos (AQUI) o Acórdão do Tribunal da Relação de Évora, de 10 de Janeiro de 2023 (proc. n.º 193/21.3GDPTM.E1, rel. Fernando Pina), podemos ler, logo no seu sumário:

«É ilegítima a ordem da autoridade policial, dirigida a um cidadão, para que se identifique, por se encontrar no local onde ocorreram factos que poderão constituir crime de violência doméstica, por ele presenciados, com vista à posterior inquirição na qualidade de testemunha.»

 

terça-feira, 14 de abril de 2026

A Polícia Municipal pode fazer o teste quantitativo de álcool? A polémica do novo Acórdão da Relação

 

Agente da Polícia Municipal a interagir com condutor durante controlo de trânsito em meio urbano

Fiscalização rodoviária pela Polícia Municipal. A questão da competência para o teste quantitativo de álcool.


    O presente texto organiza-se em torno dos seguintes eixos fundamentais, que sintetizam as questões críticas e orientam a reflexão proposta: 

I – O Acórdão da discórdia: Introdução

II – A suposta “incompetência” da Polícia Municipal para o teste quantitativo: um equívoco que ignora a lei

III – A “perturbação da capacidade de avaliação” pela presença de agentes fardados: um argumento psicológico que não resiste à lei

IV – Conclusão

 

sexta-feira, 10 de abril de 2026

Roubar um traficante é crime? O paradoxo jurídico da "coisa móvel" ilícita.

 

Fotografia cinematográfica noturna de um assalto num beco: uma mão segura uma faca ameaçando outra pessoa que entrega um pequeno pacote envolto em plástico.
Se a coisa roubada é ilegal, existe crime? Entendemos que sim.

1 – Introdução: Caso Prático 

    Comecemos por um caso simples, mas apenas na aparência: 

O João saiu de casa decidido a comprar haxixe para consumo próprio. Levava consigo o dinheiro necessário e dirigiu-se a um local onde, habitualmente, se fazem transações desse tipo. Ali, abordou um vendedor que nunca tinha visto antes.

Já no decurso do contacto, apercebendo-se de que estavam momentaneamente a sós, mudou de planos, … o dinheiro fazia-lhe falta e viu ali uma oportunidade.

Sem hesitar, puxou de uma faca que trazia no bolso e, com ela, ameaçou o vendedor, exigindo que lhe entregasse todo o haxixe que tinha consigo. Perante a intimidação, o vendedor acabou por ceder, entregando cerca de 15 gramas da substância.

 

sexta-feira, 27 de março de 2026

Pode um condómino deixar de pagar as quotas porque o condomínio não resolve infiltrações? O que diz a lei.

 

Infiltração no teto e fachada de prédio em obras de manutenção
Pagamento de quotas e obras no condomínio

    Imaginem o seguinte caso, que, embora ficcionado, não é, infelizmente, raro na prática: 

O Sr. Silva, proprietário de uma fração no último andar de um prédio, deixou de pagar as quotas de condomínio, acumulando já uma dívida significativa. 

Interpelado pelo administrador para proceder ao pagamento integral, recusou fazê-lo, alegando que não pagaria “nem mais um cêntimo” enquanto o condomínio não realizasse obras no terraço de cobertura, de onde provêm infiltrações para o seu apartamento. 

Por sua vez, o administrador do condomínio invocou a falta de disponibilidade financeira para executar as obras de imediato, situação agravada precisamente pelo incumprimento do Sr. Silva.

Acresce que o edifício, já antigo, apresenta outras necessidades urgentes de conservação que afetam os restantes condóminos. 

segunda-feira, 9 de fevereiro de 2026

Consumo, tráfico e prova: notas críticas sobre a reforma do regime jurídico da droga

 

Uma mesa de madeira com um par de algemas metálicas, sacos plásticos com substâncias em pó e pastilhas coloridas, seringas e um documento com o título "Lei n.º 55/2023".
A aplicação da Lei n.º 55/2023, de 8 de Outubro,
enquadra os novos procedimentos legais relativos ao consumo e ao tráfico de substâncias ilícitas.

1 – Nota introdutória 

    Quem tem acompanhado de perto a evolução recente do fenómeno da droga em Portugal dificilmente deixará de reconhecer uma realidade que se foi tornando cada vez mais evidente, sobretudo no espaço urbano: há mais droga a circular. 

sexta-feira, 12 de dezembro de 2025

Quando a coima não basta: ruído de vizinhança e a aplicação subsidiária do crime de desobediência

Ilustração em estilo de banda desenhada de um homem de meia-idade sentado num sofá dentro de casa, visivelmente perturbado e com olheiras, tapando as orelhas com as mãos. A sala está escura, sugerindo a noite. Da parede por trás dele, com um buraco e fissuras, saem notas musicais coloridas em direção à sua cabeça. Pela janela vê-se a noite e ondas de som roxas. Na mesa de cabeceira há um candeeiro aceso. Ele veste pijama azul. A imagem ilustra o sofrimento causado pelo ruído de vizinhança.
O pesadelo de quem vive paredes-meias com um vizinho: quando a música alta não respeita a lei, nem o descanso.

    

    Para introduzir a matéria de forma concreta, apresenta-se um caso prático que permite delimitar a questão jurídica a apreciar, advertindo-se que a análise será meramente superficial, sem pretensão de exame exaustivo. 

No dia 15 de Novembro de 2025, pelas 23H30, cansado da música alta do seu vizinho Pedro (e depois de já o ter advertido várias vezes), o João chamou a polícia. 

A polícia deslocou-se ao local e ordenou ao Pedro que cessasse de imediato a incomodidade. Este desligou a música mas, mal os agentes abandonaram o local, tornou a ligá-la. 

Perante a insistência, os agentes regressaram e advertiram o Pedro de que, caso reincidisse, seria detido pela prática do crime de desobediência. 

Não obstante a advertência, o Pedro voltou a ligar a música, vindo então a ser detido. 

terça-feira, 25 de novembro de 2025

Fim das ocupações? O que a Lei n.º 67/2025 realmente resolve e o que deixa por resolver…

 

I – Introdução

    Como sabemos, nos últimos anos, Portugal assistiu a um aumento da visibilidade mediática e social das ocupações de imóveis.

    Este fenómeno resultou de uma combinação complexa de factores: a crise habitacional, o aumento dos preços dos imóveis e do arrendamento, a escassez de oferta acessível e o prolongamento de situações de abandono ou desuso de propriedades. 

segunda-feira, 17 de novembro de 2025

Carros que espiam: o conflito entre videovigilância e direito à imagem

 

Infográfico sobre a legalidade das câmaras em carros e o direito à imagem.

    Para melhor orientar o leitor ao longo do percurso intelectual proposto por este texto, considerou-se oportuno iniciar a obra com um breve índice. Este índice não se limita a servir de guia, mas constitui um convite à reflexão estruturada, garantindo que cada argumento e consideração encontre o seu lugar no panorama geral da análise. 

1 – Introdução.

2 – Enquadramento jurídico. 

2.1 – Imagem enquanto dado pessoal. 

2.1.1 – Os sistemas de videovigilância instalados em veículos são abrangidos pelo disposto no art.º 19.º da Lei n.º 58/2019, de 8 de Agosto? 

2.1.2 – Uma câmara de videovigilância que capte exclusivamente o interior de um veículo enquadra-se na “isenção doméstica”, não lhe sendo aplicável o art.º 19.º da Lei n.º 58/2019, de 8 de Agosto? 

2.1.3 – O art.º 19.º da Lei n.º 58/2019, de 8 de Agosto, é igualmente aplicável aos veículos dotados, de origem, de sistemas de videovigilância integrados? 

2.1.4 – Existência de “interesse legítimo” para a instalação/utilização de sistema de videovigilância em veículo. 

2.1.4.1 – E se houver oposição de terceiros? 

3 – Admissibilidade de gravações obtidas ilegalmente como prova em processo penal

 

quinta-feira, 9 de outubro de 2025

Fogos-de-artifício em meio habitacional: proibições legais

 


    Com o objetivo de guiar o leitor pelo raciocínio desenvolvido, o artigo estrutura-se da seguinte forma:

1 – Introdução;

2 – Regime Jurídico;

2.1 – Punição da utilização;

2.2 – Punição da posse, transporte e armazenagem;

2.2 – Punição da disponibilização no mercado;

3 – Reflexões finais e apelo à acção.

Petardos e responsabilidade penal: um enquadramento necessário


    Visando conduzir o leitor pelo raciocínio exposto, este artigo organiza-se da seguinte maneira: 

1 – Introdução;

2 – Mudanças normativas e interpretativas;

3 – O caso concreto dos petardos;

4 – Regime sancionatório;

4.1 – Utilização;

4.2 – Posse, transporte e armazenagem;

4.3 – Disponibilização no mercado;

5 – Reflexões finais e apelo à acção.

 

quinta-feira, 1 de maio de 2025

Crimes contra animais de companhia e normas concorrentes – casos práticos

 

Uma balança de bronze num tribunal com uma pequena estátua de um cão e um gato num dos pratos, simbolizando o peso da lei na proteção animal.
A complexidade jurídica na proteção penal dos animais em Portugal.


I – Introdução 

    No nosso artigo denominado “crimes contra animais de companhia – gestão do local do crime”, começámos por afirmar que, desde a entrada em vigor dos crimes contra animais de companhia (1 de Outubro de 2014) até ao final do ano de 2023, foram registados, pelas autoridades policiais, 16.455 crimes.

    Porém, desses casos registados pelas autoridades policiais, apenas cerca de 3,84% resultaram em condenação (562 condenações). [1] 

quarta-feira, 30 de abril de 2025

Crime de evasão de presos. E de detidos?...

Fonte: Google Imagens

    Como ponto de partida para a presente reflexão, proponho a análise do seguinte exemplo prático e fictício: 

O João foi detido em flagrante delito por dois agentes da Polícia de Segurança Pública, por suspeita da prática de um crime de furto qualificado. No decurso da detenção, foram-lhe aplicadas algemas, em conformidade com os pressupostos legais da sua utilização. 

Conduzido à esquadra territorial competente, João permaneceu, sob vigilância, numa zona destinada a detidos, enquanto os agentes procediam à elaboração do expediente relativo à sua detenção. 

Sucede, porém, que, num momento de desatenção dos agentes, João logrou, com recurso a um pequeno artefacto metálico oculto na bainha das calças, manipular o mecanismo de fecho das algemas, conseguindo abrir um dos lados. 

Aproveitando-se da momentânea ausência de supervisão direta, abandonou apressadamente as instalações policiais, evadindo-se para parte incerta. 

    Será que o João comete também o crime de evasão (de presos), previsto e punido pelo art.º 352.º n.º 1 do Código Penal?

segunda-feira, 21 de abril de 2025

Crime de violência depois da subtracção – exemplo prático

Fonte: Google Imagens

    O olhar do jurista é, por natureza, desconfiado. O que para o senso comum parece claro e inequívoco é, para o jurista, um campo fértil para dúvidas, interrogações e conflitos interpretativos. 

    Com isto em mente, atentemos a um exemplo prático fictício: 

O João, conhecido em Almada como "o mãozinhas", era um indivíduo com o hábito de furtar objetos em supermercados para posteriormente os revender a terceiros. 

No dia 04 de Abril de 2025, por volta das 18H00, ele entrou num supermercado e, durante sua permanência, escondeu um perfume no bolso interior do seu casaco. 

O vigilante de serviço, que monitorizava o local através das câmaras de videovigilância, observou a acção do João e, para evitar uma perseguição física, optou por intervir antes que este atravessasse a linha de pagamento. 

Assim, aproximou-se do João e solicitou-lhe que devolvesse o perfume que havia colocado no bolso. Em resposta, o João desferiu-lhe um soco e fugiu do local. 

No entanto, logo após ter cruzado a linha de pagamento, o João foi capturado por um polícia que se encontrava de serviço no local, ainda na posse do perfume. 

Ao ser revistado, constatou-se que João não possuía qualquer quantia em dinheiro nem qualquer outro meio de pagamento. 

sexta-feira, 6 de setembro de 2024

Senhorios NÃO podem proibir animais de companhia em casas arrendadas

Fonte: Google Imagens
         

 I – Introdução 

    Ao longo dos últimos anos, os animais de companhia emergiram de uma posição tradicionalmente periférica/utilitária para se afirmarem como membros integralmente reconhecidos das unidades familiares contemporâneas.

    Este fenómeno pode ser compreendido não apenas como uma mudança no status dos animais, mas também como uma reflexão profunda sobre as necessidades emocionais e psicológicas da sociedade moderna.

quarta-feira, 14 de agosto de 2024

Tribunal anula multa a pedreiro que foi fiscalizado por casal de polícias

 

Fonte: Google Imagens


    Conforme foi noticiado há uns dias atrás, pelo JN, “o Tribunal da Relação de Évora anulou uma multa de 1200 euros aplicada a um pedreiro que tinha sido apanhado a conduzir quando estava proibido de o fazer. A anulação da pena aconteceu após o homem, de 39 anos, se ter queixado que nunca podia ter sido intercetado e fiscalizado por dois agentes da PSP que eram casados entre si”.

terça-feira, 18 de junho de 2024

Crimes contra animais de companhia – gestão do local do crime

 

Fonte: Google Imagens

    Como sabemos, os crimes contra animais de companhia [ps. e ps. pelos art.ºs 387.º e 388.º do Código Penal (CP) Português] foram aditados pela Lei n.º 69/2014, de 29 de Agosto, que entrou em vigor no dia 1 de Outubro de 2014.

    Consultando o Sistema de Informação das Estatísticas da Justiça (SIEJ), verificamos que, desde a sua entrada em vigor até ao final do ano de 2023, foram registados, pelas autoridades policiais, 16.455 crimes contra animais de companhia.

quinta-feira, 2 de maio de 2024

«Pai que batia e chamava de "porca" à filha de quatro anos vence recurso e é ilibado»

Fonte: Google Imagens
   
    Nos últimos dias, vários meios de comunicação social divulgaram que um pai que batia na filha de quatro anos e lhe chamava de "porca" venceu o recurso no Tribunal da Relação de Évora. O homem de 36 anos – que tinha sido condenado a dois anos de pena suspensa pelo Tribunal de Sesimbra e a pagar 1250 euros de indemnização à vítima – foi (…) ilibado, por os juízes desembargadores terem entendido que os comportamentos do pai estavam abrangidos pelo "poder/dever de correção".

terça-feira, 23 de abril de 2024

Crime de furto - noção de "espaço fechado"

Fonte: Google Imagens

    Consideremos o seguinte caso prático fictício:

No dia 14 de Abril de 2024, cerca das 09H00, o António e o Carlos dirigiram-se a um estaleiro de obras, sito no Monte da Caparica, em Almada, com o objectivo de lá entrarem e se apropriarem de todos os objectos de interesse que pudessem transportar.

Para acederem ao interior do estaleiro, escalaram o muro envolvente, com cerca de 2 metros de altura.

António e Carlos conseguiram apropriar-se de vários objectos, num valor total de cerca de 300 euros. 
 

quarta-feira, 20 de março de 2024

Furto (de uso) de veículo e a detenção em flagrante delito

 

Fonte: Google Imagens

    Atentemos no seguinte caso fictício (que bem poderia ser real):

No dia 15 de Março de 2024, pelas 02H00, António, com o auxílio de uma gazua, subtraiu o automóvel de Bento (no valor de 10.000 euros), com a intenção de se apropriar dele.

Ainda no mesmo dia, ao aperceber-se do furto, Bento deslocou-se ao posto policial mais próximo e denunciou-o.

Três dias após a denúncia, António foi surpreendido, por uma patrulha da PSP, a conduzir o automóvel de Bento.

Sabendo que ao crime de furto (de veículo) correspondia, em abstracto, uma pena mais elevada [1], António não disse aos agentes que se pretendia apropriar dele, mas que o estava a usar temporariamente por o seu se encontrar a reparar. [2].

António acabou por ser detido em flagrante delito.

Quid Juris?